11 de junho de 2019

Ato público, diversidade cultural e Carta Política caracterizaram o encerramento da 8ª Festa Estadual das Sementes da Paixão



De forma festiva e através de diversas expressões populares (Ato Público, apresentações culturais e reflexões políticas) a 8ª Festa Estadual das Sementes da Paixão foi encerrada na tarde da sexta-feira (07), no município de Soledade-PB, Cariri Paraibano com a presença de mais 1.200 pessoas. Com o tema “Comunidades Guardiãs: Protegendo a Biodiversidade e Garantindo Alimentação Saudável” o evento foi realizado na região do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar, território de atuação da entidade de assessoria à Agricultura Familiar de base agroecológica - Patac.  As duas organizações integram a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba).

A atividade começou na quarta-feira, dia 05 e se estendeu até a sexta, 07, reunindo centenas de agricultoras e agricultores familiares em mesas de diálogo, oficinas temáticas, feira de sabores e saberes e atividades culturais.

O marco final e culminância do evento se deu  na sexta - feira (07), quando um grande ato público foi realizado nas ruas de Soledade, onde os participantes do evento, puderam caminhar e dialogar com o público urbano sobre as lutas enfrentadas em relação as Sementes  da Paixão e  a contaminação por transgênicos nos territórios e também sobre as questões da atual conjuntura política, as perdas de direitos através da reforma previdência, os cortes na educação e as questões de gênero.


Um toré puxado pelos representantes dos povos indígenas das tribos paraibanas Potiguara e Tabajara, representados pelos caciques Jessé Potiguara e Paulo Tabajara, trouxe a luta e a resistência dos diversos povos do Semiárido como algo sagrado, o toré foi dançado pelos participantes do ato. Em seguida, o GT de Juventude da ASA Paraíba realizou uma intervenção, uma grande faixa foi estendida no meio do povo, onde estavam o mapa da Paraíba e a frase “Paraíba livre de transgênicos e Agrotóxicos”, a frase foi puxada como grito de ordem até o encerramento do ato no Clube recreativo, local da festa.

No retorno à plenária final, foi realizado o lançamento estadual da Campanha “Não Planto Transgênicos para Não Apagar a Minha História”. Criada pelo Polo da Borborema, uma das dinâmicas microrregionais que integram a ASA na Paraíba, a Campanha entra em uma nova fase em âmbito estadual e pretende esclarecer as famílias agricultoras sobre como evitar a contaminação de suas sementes, principalmente as de milho, que devido a polinização aberta, é de fácil contaminação, bem como divulgar os riscos que os transgênicos trazem não só para a saúde humana, mas também para a erosão genética da biodiversidade. Após o ato de lançamento, foi oferecida a degustação de uma variedade de alimentos produzidos com milho NÃO transgênico, como broas, bolos e biscoitos, que já pode ser encontrado nas feiras agroecológicas na forma de farelo, cuscuz, mungunzá e xerém.

Na plenária final, como encaminhamento político foi lida a Carta Política do evento diante de uma mesa de representantes do Governo do Estado, da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido, da Secretaria Estadual Executiva de Segurança Alimentar e Economia Solidária, da Frente Parlamentar da Água e da Agricultura Familiar da Assembleia Legislativa, de representantes da Articulação do Semiárido Brasileiro – ASA Brasil,  do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) - PB, e na presença dos representantes dos povos tradicionais,  o documento afirma que: “Comunidades guardiãs são as verdadeiras trincheiras de luta e de afirmação do papel histórico exercido por agricultoras a agricultores na defesa e proteção dos recursos da biodiversidade, da água e da terra”. O documento continua: “Afirmamos que esses recursos são bens comuns que, manejados e conservados pelas mãos das comunidades, se convertem na produção de alimentos fartos, seguros, diversificados e saudáveis”.


Naidson Quintela, da Coordenação Nacional da ASA Brasil, em sua fala, lembrou os 15 anos de trajetória das Festas das Sementes da Paixão na Paraíba e falou sobre a conjuntura política atual: “A última eleição na Paraíba foi de resistência, vocês escolheram aqui os representantes que vão garantir a vida e não a morte”, disse se referindo ao Governo Federal atual que liberou em seis meses quase 200 novos agrotóxicos no país e continuou: “O recado que a ASA Brasil tem para dar aqui hoje é, não abram mão, continuem brigando, celebrando, festejando e guardando sementes. O governo estadual que vocês elegeram tem a obrigação de dar suporte a esse trabalho, assim como o governo da Bahia que instituiu uma política estadual de agroecologia”.

Durante a Festa, foram realizados gratuitamente testes de transgênia adquiridos pela organização do evento. Os testes funcionam de forma semelhante a um teste de gravidez, com tiras sensíveis à sete tipos de proteínas transgênicas. Para aqueles que tinham seus testes com resultado negativo para a contaminação, era entregue um certificado de Livre de Transgênicos. Maria das Dores Medeiros, do Sítio Capoeiras, em Cubati-PB, conta do alívio que sentiu ao descobrir que havia conseguido recuperar suas sementes: “Fizemos o teste aqui e deu negativo, essa era uma semente que já havia dado contaminada, mas através do banco de sementes, a gente conseguiu recuperar e manter livre da contaminação, então eu fiquei muito feliz e aliviada de ter de volta meu milho da paixão”.

A Rede de Sementes da ASA Paraíba promove há 15 anos as festas, com um intervalo de dois anos entre uma edição e outra. As festas cumprem o duplo papel de celebrar o trabalho das centenas de guardiãs e guardiões das sementes e de denunciar as ameaças à preservação deste patrimônio genético e cultural da humanidade.


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