16 de maio de 2022

Lideranças da Asa Paraíba discutem estratégias de incidência política em Encontro Estadual

Agricultores e agricultoras lideranças e organizações dos 7 territórios de atuação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA PB), participaram do Encontro Estadual de Incidência Política promovido pela Asa Paraíba nos dias 11 e 12 de maio em Boqueirão, território do Cariri, região do Coletivo ASA Cariri Oriental (Casaco). A atividade marca a retomada das atividades presenciais depois de 2 anos realizando eventos virtuais, devido a pandemia. Um dos objetivos do encontro foi refletir sobre o papel e o lugar da Sociedade Civil na relação com o Estado, no sentido da formulação de políticas públicas para convivência com o Semiárido, tendo em vista o período eleitoral deste ano (2022) e os desafios futuros. No primeiro dia, foram discutidos os
avanços e desafios de políticas públicas de acesso à água, sementes vegetais e animais, mulheres, juventudes, comercialização, crédito e Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). Um dos temas discutidos e que tem afetado as famílias agricultoras da Paraíba atualmente, é a instalação de parques de energia Eólica e Solar em áreas rurais. Essa implantação tem mudado o modo de vida de agricultoras e agricultores, reproduzindo a concentração agrária e acelerando o processo de desertificação da Caatinga. “Não só as energias eólicas estão impactando no nosso território, mas a solar também. Nós não somos contra a esse tipo de energia, mas uma energia não é limpa se destrói a agricultura e desapropria famílias. Pessoas que estão sendo forçadas a aderir a esses parques de grande escala e estão sendo enganadas pelas empresas, com falsas promessas de bons rendimentos”, disse Patrícia Almeida, assessora técnica do Centro de Ação Cultural-CENTRAC. Para Marcelo Gallassi, também da coordenação da ASA Paraíba, há uma propagação da volta do discurso do combate à seca, do Semiárido como o lugar de terra rachada, uma forma de justificar a implantação dos parques de energia eólica como solução para a melhoria de vida das famílias, o que precisa ser enfrentado com urgência pelas organizações da rede. Marcelo também afirma que “os candidatos/as precisam entender que não se constrói políticas públicas sem a sociedade civil. ” No segundo momento, o professor Jonas Duarte, do Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foi convidado para fazer uma análise de conjuntura política com foco no processo eleitoral. "Precisamos reacender os movimentos populares. Esse é o nosso desafio", afirmou Jonas, reforçando a importância de o povo está nas ruas, lutando contra as perdas de políticas públicas e os retrocessos após esse período de isolamento social. “As eleições de 2022 são uma oportunidade para mudar essa conjuntura, se elegermos representantes que defendam as pautas e demandas dos povos do Semiárido. Estamos vivendo um mundo de dominação imperialista que está morrendo e a ascensão das forças progressistas aqui no Brasil pode ajudar a acelerar esse processo". Na quinta-feira, dia 12, o debate ocorreu sobre as pautas comuns da Rede ASA e a construção de um plano de incidência política. A coordenadora, Glória Batista, enfatizou que a Rede tem passado por um processo de ressignificação do seu projeto político, para além do tema da água e das cisternas. “A ASA é constituída por organizações sociais de um povo que luta em defesa da construção da convivência e promoção da Agroecologia no Semiárido”. Ela lembra que “é preciso denunciar as candidaturas que são contrárias aos direitos do povo e eleger representantes comprometidos com o projeto de convivência com o Semiárido.”. O agricultor Reginaldo Bezerra de Lima, do município de Caraúbas, trouxe a realidade do desafio dos agricultores que vivem no cariri e a dificuldade de preservar suas raças de animais nativos. “Tem uma política de direita no cariri muito forte. O programa Pecuária Mais Brasil é um exemplo disso. É um programa da ANATER e com sua expansão fica cada vez mais difícil a gente preservar nossas raças nativas”. Outro debate importante foi sobre a multiplicação e conservação das sementes vegetais da paixão. “Temos um histórico de mais de 10 anos de distribuição de sementes híbridas e isso tem afetado a autonomia das famílias, sem contar na distribuição de sementes transgênicas pelo governo estado”, disse a liderança Roselita Victor, do Polo da Borborema. Reforça que a rede precisa continuar pensando em estratégias de comunicação e de ação contra as ameaças do agronegócio e dos transgênicos, apontando caminhos de diálogo com os governos municipais e estaduais. “Uma de nossas conquistas foi da parceria como governo estadual para a construção de 10 Bancos de Sementes Comunitários que serão implementados em diversos municípios do estado. Essa conquista se deu a partir de uma Emenda Parlamentar apresentada pela deputada Estela Bezerra, isso porque existe vontade política. Por isso é preciso eleger representantes que apoiem nossas pautas”, contou a agricultora Gizelda Beserra, do Polo da Borborema. O evento encerrou trazendo algumas estratégias para formulação de plano de incidência, que servirá de horizonte para os próximos anos, dentre esses foram citados: o enfretamento ao modelo (de larga escala) de implantação aos parques de energia renovável nos territórios; a formulação de um ‘Projeto Ambiental em Rede para o reflorestamento da Caatinga’; O mapeamento dos candidatos e candidatas do campo popular que dialogam com o nosso projeto político e a elaboração de um material de comunicação para ser trabalhado nas comunidades, que denuncie os candidatos/as contrários a esse projeto; a realização de um debate com os postulantes ao governo estadual para apresentação das pautas da agroecologia e da convivência com o semiárido; a realização de um encontro com as juventudes dos territórios para debater sobre as eleições e o voto consciente e a reafirmação da agricultura familiar como produtora de alimentos agroecológicos, trazendo como base o acesso e o direito a terra, a água e as sementes.

24 de fevereiro de 2022

Coletivo e o Patac realiza Encontro com Secretários/as Municipais de Agricultura

Na tarde do dia, 22 os secretários Miranda Neto, do município de Soledade, Alex Barbosa do município, de Santo André, e Valéria Andrade, do município de Pocinhos. Mais representantes do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável - CMDRS: Jozenildo Torres do CMDRS do município de Soledade e Rafaela Diniz do CMDRS do município de Santo André se reuniram com a o Patac e o Coletvo.
O objetivo do encontro foi incidir no diálogo entre sociedade civil e gestão pública municipal para construção do Plano Safra Municipal. A defesa de políticas públicas continua sendo um eixo central e necessário para o fortalecimento da agricultura familiar, à agroecologia e a convivência com o semiárido. O Plano Safra Municipal é um instrumento de diagnóstico, planejamento, execução e monitoramento. Por isso, há que se ressaltar, a necessidade de fortalecer as condições reais de participação de agricultores e agricultoras, e o papel do CMDRS nessa construção. " Sem democracia, não há agroecologia "! Reafirmamos o compromisso coletivo de construir e participar.

4 de fevereiro de 2022

Florestando o Semiárido realiza Intercambio entre famílias agricultoras

 Agricultoras e agricultores do território do Coletivo Regional das organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Seridó e Curimataú, assessoradas pelo Patac, participaram de um intercambio de conhecimento na propriedade de Vilmar e Maria Silvanete Lermen, agricultores experimentadores da Serra dos Paus Dóias em Exú (PE). A atividade é uma iniciativa do projeto ‘Florestando o Semiárido’, patrocinado pela Petrobras.


Através das experiências desenvolvidas pela família camponesa, muitas trocas foram possíveis entre os dois estados sobre práticas sustentáveis de manejo do solo e a implantação de sistemas agroflorestais (Saf’s) visando à produção de alimentos agroecológicos.

Na propriedade do casal, tem duas cisternas de 76 mil litros e fogão geoagroecológico, já na Associação dos Agricultores (as) Familiares da Serra dos Paus Dóias (Agrodóia), da qual fazem parte, tem cisterna de 76 mil litros, jardim filtrante adaptado, fossa séptica, biodigestor, biofertilizante e agroindústria, onde são fabricados doces, geléias, licores, óleos essenciais e mel.

Tudo isso fez com que a propriedade se tornasse um modelo a ser mostrados aos inúmeros visitantes que o casal recebe.


Para a agricultora Edilene Monteiro, da comunidade quilombola Santa Rosa de Boa Vista-PB, o intercâmbio foi riquíssimo “Muito importante para todas e todos que vieram em busca de conhecimento, vou levar para o quilombo informações importantes e uma diversidade de mudas para fortalecer os quintais produtivos das famílias. Isso gera autonomia e sobrevivência para nosso território”

 

Para saber mais:

(83) 99319 0663/ Ascom Patac

(87) 9937-1999 /Vilmar e Maria Silvanete Lermen

 

Patac comemora 52 anos de trajetória no Semiárido

 

O Patac comemorou no dia 31 de janeiro, 52 anos de sua fundação. Para celebrar esta data, foi realizada uma live transmitida pelas redes sociais Facebook e YouTube.


https://www.youtube.com/watch?v=Qin8Uc2roO4

Na ocasião, a instituição celebrou o passado e o presente resgatando o avanço das tecnologias, e os avanços na política de comunicação e do trabalho em rede com outras organizações.

E para celebrar esse novo momento, lançamos um vídeo que apresenta o projeto “Florestando o Semiárido: Agricultura Familiar Guardiã da Caatinga”. A peça de animação apresenta as principais ações de convivência o com semiárido.

https://www.youtube.com/watch?v=n0W2TAYDvew

O vídeo foi idealizado para os diversos públicos e dialoga também com temas como o histórico de devastação no bioma Caatinga, o reflorestamento na perspectiva agroecológica, seqüestro de carbono e temas transversais do projeto como: as relações de gênero, o protagonismo da juventude e o respeito à diversidade.

O projeto Florestando o Semiárido é patrocinado pela Petrobras, realizado pelo Patac e conta com o apoio do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar.

22 de outubro de 2021

Mulheres jovens fortalecem trabalho da Agricultura Familiar e permanência da juventude nas comunidades

 

Uma das estratégias de Convivência com o Semiárido é possibilitar condições para que a juventude camponesa se mantenha em suas comunidades, evitando assim a migração e a superlotação das áreas urbanas, o que gera grandes problemas sociais.

A jovem Larissa Oliveira de Moura, da comunidade Malhadinha, de Boa Vista – PB é uma liderança jovem e desenvolve junto a sua família experiências com Fundo Rotativo Solidário (FRS) de galinhas de capoeira e com a produção de alimentos agroecológicos no arredor de casa.


Ela é estudante de Enfermagem e pretende conciliar o trabalho na área da saúde com sua realidade de jovem agricultora. Larissa trabalha com a mãe e suas irmãs na propriedade, o que fortalece a atuação de mulheres jovens na agricultura familiar, de base agroecológica.

No território do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar, onde atua o Patac, esse trabalho tem sido valorizado e apoiado através da realização do Projeto “Florestando Semiárido: Agricultura Familiar Guardiã da Caatinga” que é patrocinado pela Petrobras.

15 de outubro de 2021

FAMÍLIAS DO SEMIÁRIDO PARAIBANO DESENVOLVEM TECNOLOGIAS SOCIAIS PARA CONSERVAÇÃO DO SOLO

 

No início do mês de outubro o Patac e as famílias do Assentamento Arcanjo, em Soledade - PB realizaram uma oficina de construção de Barragens Base Zero (BBZ's). Esse foi o 1º módulo dessa atividade que teve como objetivo, "aprender construindo" duas BBZ's. Cerca de 10 famílias participaram do mutirão que aconteceu o dia todo.

As BBZ's são tecnologias sociais de conservação do solo e contenção da umidade que favorece a produção de alimentos. Construídas de forma simples, sem despesas e com matéria prima do próprio solo, através de pedras conhecidas como seixos e outros minérios existentes nesta região, sem ser necessário a compra e o transporte de materiais externos, o que facilita o acesso das famílias agricultoras a essa estratégia de convivência, que é viável a realidade do Semiárido e da Caatinga.


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O Florestando o Semiárido irá promover ações para reverter processos de degradação do solo e preservar cursos d’água, através da implementação 30 barragens de base zero (BBZ’s) nas comunidades.

Essa tecnologia simples propõe a construção de barragens ao longo de rios e riachos com o propósito de diminuir a velocidade da água e impedir que o solo seja arrastado pela sua força. Quando um rio corre rápido demais, a terra e seus nutrientes acabam sendo levados pela correnteza e, muitas vezes, acumula-se em um ponto específico, aterrando o leito do rio.

 

O Barramento Base Zero (BBZ’s) não propõe barragens como as que conhecemos e sim barragens de até um metro de altura construídas com pedras encaixadas sem argamassa de forma a deixar espaço para a água passar.

 

O Projeto Florestando o Semiárido, patrocinado pela Petrobras e realizado pelo Patac tem fortalecido nas comunidades essas iniciativas.

 

8 de outubro de 2021

RAÇAS DE ANIMAIS NATIVOS SÃO PRESERVADAS PELAS FAMÍLIAS DO SEMIÁRIDO PARAIBANO

 

No Semiárido não só às sementes vegetais são consideradas crioulas. As raças de animais nativos da região também são consideradas sementes crioulas ou Sementes da Paixão, como assim são conhecidas na Paraíba.

No território de atuação do Patac, junto ao Coletivo de famílias agricultoras, existe muitas mulheres guardiãs das sementes das galinhas de capoeira. Essa criação tem uma grande importância para a segurança e soberania alimentar das famílias e também para gerar renda para as mulheres e jovens.



É comum nos quintais encontrarmos uma variedade de raças nativas de galinhas (pedrês, canela preta, pescoço pelado, vermelha, canela amarela, etc.), essas aves, adaptadas a região, são mais resistentes e saudáveis, se diferenciam das galinhas e frangos criados em grande escala, o que na Paraíba chamamos de caipirão. Além da carne saudável e saborosa, as galinhas de capoeira também produzem os ovos, que são excelentes para a saúde, devido à proteína que oferecem para alimentação humana.  

A alimentação das galinhas pode ser manejada através dos restos de cultura (sobra da comida, mato verde, ervas medicinais e frutas da região) e a higiene dos criatórios também é feita de forma rápida e simples. Tudo isso permite um excelente alimento, saudável e de baixo custo para as famílias agricultoras.

A agricultora Rosymeire Posse, da comunidade Santa Luzia, de Soledade-PB, é uma guardiã das galinhas de capoeira.


O Projeto Florestando o Semiárido, realizado pelo Patac e patrocinado pela Petrobras apóia essa iniciativa.

Lideranças da Asa Paraíba discutem estratégias de incidência política em Encontro Estadual

Agricultores e agricultoras lideranças e organizações dos 7 territórios de atuação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA PB), participa...