6 de agosto de 2012

Campanha se intensifica nos estados e ganha apoio de agricultores

A mensagem "Não Troque seu Voto por Água. A Água é um Direito Seu!" está ganhando destaque nos jornais do país


Famílias agricultoras e organizações sociais estão realizando mobilizações pelo voto limpo nas eleições deste ano em municípios do Semiárido. Durante os cursos, encontros e intercâmbios que estão sendo realizados através dos programas da Articulação no Semi-Árido (ASA), dezenas de entidades da sociedade civil estão utilizando os spots e o panfleto da campanha “Não Troque seu Voto por Água. A Água é um Direito Seu!”, lançada em julho pela ASA.

“A necessidade da realização é justamente por se tratar de um ano de seca e eleições, em um local que historicamente troca voto por água”, ressalta Alessandro Nunes, coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e assessor técnico da Cáritas Regional Ceará, organização que faz parte da ASA.

Através do site da ASA estão sendo disponibilizados um panfleto e quatro versões de spots. No estado da Paraíba, por exemplo, o material foi utilizado no Encontro de Avaliação Semestral do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú, que aconteceu nos dias 26 e 27 de julho, na cidade de Campina Grande. “A disponibilidade dos materiais foi muito importante porque também trabalhamos com recursos hídricos e devemos discutir a água como um bem da população que não pode ser trocado por voto ou qualquer outro benefício” alega Cláudia Costa, coordenadora do Coletivo.

No encontro realizado pelo Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú, cerca de 30 agricultores e agricultoras conheceram a Campanha e discutiram o conteúdo dos materiais comunicacionais. A agricultora familiar Betânia Alves, moradora do município paraibano de Juazeirinho, participou da iniciativa e prometeu que vai alertar outras pessoas de sua comunidade sobre os assuntos debatidos: “Estamos no período eleitoral e sabemos que ainda tem agricultores sem consciência dos seus direitos, que acham que ao receber um carro-pipa estão sujeitos a ter que votar naquele candidato”.

No Ceará, o Fórum Cearense pela Vida no Semi-Árido criou um panfleto abordando cinco motivos para os eleitores não aceitarem as promessas de políticos corruptos. Ao todo, 10 mil exemplares deste panfleto estão sendo distribuídos nas microrregiões do estado. Alessandro Nunes confirma também que já estão agendadas reuniões com as seccionais cearenses da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além do Ministério Público do Ceará, para tratar sobre os objetivos e possibilidades de parceria para a Campanha.

No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a Cáritas Diocesana de Araçuaí está disseminando a Campanha através dos Encontros Comunitários, das Comissões Municipais e do Intercâmbio Interestadual nas cidades de Coronel Murta, Araçuaí e Itinga. Na região, a articulação da Campanha resultou também na veiculação de spots radiofônicos que podem ser ouvidos em rádios comunitárias e alternativas, informando os números telefônicos para os eleitores que precisam denunciar a compra de votos.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Coronel Murta, Robélio Prates, afirma que na comunidade a população está superando o medo de denunciar: “Porque na maioria das vezes essas pessoas [políticos] são poderosas na região e nós não tínhamos condição de recorrer a órgãos maiores e nem tínhamos apoio. Agora como essa campanha as pessoas estão sendo formadas, estão mais conscientes e acho que é possível combater a venda de voto”.

O conteúdo da Campanha é baseado na Lei Federal 9.840/99, conhecida como Lei de Combate à Corrupção Eleitoral. Cada peça comunicacional traz informações sobre o direito à água, a necessidade do voto limpo, os detalhes para denunciar a troca de água por voto, além dos números telefônicos de instituições responsáveis pela fiscalização e julgamento de crimes eleitorais em cada estado.

A Campanha já foi divulgada pelos jornais Estado de Minas (MG), Diário de Pernambuco (PE), Correio Braziliense (DF) e Correio do Povo (AL), além do portal UOL.

Confira os materiais da campanha aqui: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_MENU=5637 *Com informações de Myrlene Pereira - comunicadora popular da ASA/Cáritas Diocesana de Araçuaí


Fonte: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=7438

Os dez anos do Plano Safra da Agricultura Familiar: um convite à reflexão

Os dez anos de Plano Safra da Agricultura Familiar trazem um convite à reflexão sobre os rumos da agricultura familiar e do desenvolvimento rural. Observamos a ampliação nos recursos disponibilizados, a criação de novas políticas públicas, o aperfeiçoamento das já existentes e o reconhecimento político e institucional cada vez maior da categoria social. Em paralelo aos avanços, há muitos desafios e demandas em curso. O artigo é de Valdemar J. Wesz Junior e Catia Grisa.

Na primeira semana de julho deste ano foi lançado mais um Plano Safra da Agricultura Familiar, completando dez anos de planejamento setorial que sinaliza e orienta as ações dirigidas especificamente a esta categoria de agricultores no horizonte de um ano agrícola. Para o ano de 2012/13 foram disponibilizados R$ 22,3 bilhões para as políticas de crédito rural (PRONAF), comercialização (PAA e PNAE), assistência técnica (PNATER), combate à pobreza rural (Brasil Sem Miséria), garantia de preços (PGPAF e PGPM) e seguro da produção (SEAF e Programa Garantia Safra). Como nos anos anteriores, o PRONAF sobressai a este conjunto de políticas públicas, recebendo R$ 18 bilhões, um aumento de 12,5% em relação aos dois últimos anos. Esta ampliação dos recursos segue uma tendência observada ao longo destes dez anos de Plano Safra da Agricultura Familiar, sendo que o valor atual representa mais que o triplo daquele disponibilizado no ano 2003/04 (R$ 5,4 bilhões).

No atual Plano Safra da Agricultura Familiar, o PRONAF mantém o movimento de redução das taxas de juros e ampliação dos limites máximos financiados e da renda para fins de enquadramento dos agricultores no Programa. Os juros do novo Plano Safra variam entre 0,5% e 4%, enquanto no ano 2003/04 oscilavam de 1,5% a 7,5%; o teto do valor financiado para contratos de custeio foi elevado para R$ 80 mil e o de investimento manteve-se em R$ 130 mil como no ano anterior, sendo que em 2003 eram respectivamente R$ 28 mil e R$ 36 mil; ampliou-se o limite de financiamento para algumas linhas do PRONAF, como Agroindústria, Floresta, Jovem, Semiárido e Eco; a renda máxima para enquadramento no PRONAF passou para R$ 160 mil ao passo que no primeiro Plano Safra era de R$ 60 mil [1], e a renda bruta máxima de enquadramento no Grupo B foi elevada para R$ 10 mil, cinco vezes àquela observada em 2003.

Ao longo destes dez anos também aconteceram mudanças importantes nos mecanismos de participação das organizações associativas no Programa. Na safra 2003/04 podiam acessar o PRONAF as cooperativas e associações que tivessem no seu quadro social um mínimo de 90% de agricultores familiares, os quais precisavam responder por 70% da produção. A partir do Plano Safra 2008/09 passaram a ser incluídas as cooperativas que tivessem a sua estrutura social formada por 70% de agricultores familiares, os quais deveriam ser responsáveis por, no mínimo, 55% da produção.

Paralelamente ampliou-se o limite do patrimônio líquido das cooperativas para fins de enquadramento, saindo de R$ 3 milhões em 2003 para R$ 150 milhões na safra 2012/13. O volume de recursos disponibilizados também apresentou grande acréscimo, alcançando atualmente R$ 30 milhões por cooperativa, enquanto que em 2003/04 o máximo permitido era de R$ 720 mil (aumento em 40 vezes).

Assim, o PRONAF passou a disponibilizar um volume crescente de recursos ao apoio das grandes cooperativas. Vislumbra-se, aqui, a opção por uma política de fomento bastante favorável às cooperativas de maior porte em um contexto marcado por fortes desafios à atuação das pequenas cooperativas e pela existência de uma série de barreiras ao envolvimento das associações de produtores na comercialização de produtos agrícolas e no desenvolvimento de atividades com fins econômicos de modo geral. Coloca-se a necessidade de um debate mais aprofundado sobre o perfil de associativismo a ser fomentado pelo PRONAF, considerando os diferentes perfis de agricultores atendidos pelo Programa.

As mudanças identificadas no PRONAF, tanto em nível individual (agricultor familiar) como no fomento ao associativismo, favorecem cada vez mais a participação de um conjunto amplo e diferenciado de agricultores. Todavia, é importante verificar em que medida estas alterações normativas têm se traduzido na democratização do acesso e em uma qualificação dos resultados do Programa. Na safra 2009/10, os pronafianos do grupo B e os beneficiários da reforma agrária (PRONAF A e A/C) acessaram, respectivamente, 9,5% e 2% dos recursos totais, sendo que estes grupos, segundo o Censo Agropecuário 2006, correspondem a 72,2% da agricultura familiar brasileira. De 2003 até 2006 o número de contratos elevou-se para 1,85 milhão e desde então foi reduzindo, alcançando nos últimos anos agrícolas cerca de 1,5 milhão, e o valor médio dos mesmos tem se elevado, passando de R$ 3.344,89 em 2003 para R$ 8.639,97 em 2011.

Nos últimos anos, a região Sul do Brasil voltou a concentrar mais de 50% dos recursos aplicados – somente o Rio Grande do Sul recebeu R$ 3,25 bilhões em 2011 (24,4% do total). Já o Nordeste, que detém metade dos estabelecimentos da agricultura familiar, tem sido beneficiado por apenas 12% dos recursos totais do Programa de 2009 a 2011.

É importante destacar que desde 2003 tem se evidenciado uma tendência de equilíbrio entre as operações de crédito de custeio e de investimento no Programa, diferentemente do período precedente quando os valores de custeio eram expressivamente superiores. Esta mudança tem influência da Linha Mais Alimentos, visto que desde o seu lançamento em 2008 até abril de 2012 já foram comercializados 300 colheitadeiras, quatro mil veículos de transporte de cargas e 44 mil tratores, superando significativamente os menos de sete mil tratores adquiridos nos dez anos anteriores à vigência desta linha específica de financiamento. Enquanto em 2003 a compra de máquinas e equipamentos representava 25% dos contratos de investimento agrícola (com um montante de R$ 95,6 milhões), em 2011 ela passou a dominar mais de 50% desta modalidade de crédito (com um volume superior a R$ 1,5 bilhão) [2]. Também foi importante neste equilíbrio a aquisição de animais, que passou de 4,44% dos contratos e 10,03% dos recursos totais do PRONAF em 2003 para, respectivamente, 21,81% e 17,81% em 2011.

Em termos de custeio agrícola, cabe notar que de 2003 até 2011 dois produtos (milho e soja) são responsáveis por mais de 50% do custeio agrícola aplicados pelo Programa – no Paraná esse valor chega a 80%. Segundo o Anuário Estatístico do Crédito Rural, somando café a estes produtos, os três respondem por 65-70% dos valores totais neste período, com redução na participação do milho e incremento na de soja e café.

Este conjunto de dados do PRONAF chama a atenção para as características da agricultura familiar que tem acessado o Programa. Como visto, não raro diz respeito a um agricultor familiar mais capitalizado, localizado no Sul do Brasil e produtor de commodities agrícolas. É preciso refletir sobre o papel da principal política pública para a agricultura familiar no fortalecimento do conjunto desta categoria social.

No evento de lançamento do Plano Safra 2012/13, outras duas políticas públicas foram recorrentemente destacadas por gestores públicos e representantes de movimentos sociais e sindicais rurais. Trata-se do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para os quais foram disponibilizados, respectivamente, R$ 1,2 bilhão e R$1,1 bilhão (sendo R$ 148 milhões oriundos do MDA e R$ 1,08 bilhão do MDS). No caso do PNAE, também foi ampliado o limite de compras por agricultor/ano, passando de R$ 9 mil para R$ 20 mil.

Esta mudança, por um lado, permite o fortalecimento dos agricultores inseridos no Programa e, por outro, limita a inclusão de um número maior de agricultores familiares neste mercado institucional. Enquanto o valor por agricultor/ano anterior poderia beneficiar cerca de 130 mil estabelecimentos, admitindo o uso do limite máximo permitido, o novo limite de compras pode atender menos da metade deste número (60 mil).

Além da ampliação de recursos para o PAA, que em 2003 recebeu quase R$ 145 milhões e em 2011 aproximadamente R$ 775 milhões, o novo Plano Safra institucionalizou mais uma modalidade denominada Compra Institucional que permite aos estados e municípios comprar com seus próprios recursos os produtos de agricultores familiares no valor de até R$ 8 mil por fornecedor, podendo destinar estes alimentos para, por exemplo, restaurantes de órgãos públicos, universidades e hospitais públicos.

Ademais, no mesmo evento o governo assinou o Decreto nº. 7.775 de julho de 2012 explicitando, entre outros elementos, a nova gestão do Programa a partir de Termos de Adesão com estados, municípios e consórcios de municípios.

Estas mudanças, somadas às alterações que aconteceram desde a implementação do PAA (criação de modalidades, aumento dos recursos e do número de agricultores e organizações/pessoas beneficiadas, articulação com o Plano Brasil Sem Miséria), contribuíram para dar maior visibilidade e notoriedade ao Programa, o qual é considerado modelo para vários países da África e das Américas do Sul e Central. Nestas mudanças, é importante não perder de vista o papel que o PAA vem desempenhando na construção, estruturação e regulação de mercados para o conjunto da agricultura familiar e na criação e fortalecimento das organizações de produtores, contribuindo, assim, no âmbito da política agrícola e no empoderamento destes atores sociais.

Para a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), o novo Plano Safra disponibilizou R$ 542 milhões, valor bem acima dos R$ 40 milhões aplicados em 2003, mas próximo dos recursos ofertados em anos recentes. Desde 2003, um conjunto de mudanças vem ocorrendo com a ATER, envolvendo a ampliação dos recursos, a promulgação da Lei Geral de ATER em 2010, a realização da I Conferência Nacional sobre Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária (CNATER) e a publicação de chamadas públicas diferenciadas para segmentos da agricultura familiar, regiões ou produtos/sistemas específicos. Conforme o Plano Safra 2012/13, todas as novas contratações exigirão ações para melhorar a gestão ambiental da propriedade e reduzir o uso de agrotóxicos, visando promover a “Rota da Sustentabilidade”.

No mesmo dia do lançamento do Plano Safra também foi ressaltada a criação futura de uma Agência Nacional de Extensão Rural, que será um tema importante de discussão no próximo período. Apesar dos avanços realizados para recuperar o papel da ATER em âmbito nacional, é preciso refletir sobre a institucionalidade e as metodologias predefinidas que embasam as chamadas públicas e sua adequação às diferentes realidades locais.

Desde 2003, dois instrumentos foram criados visando à proteção dos estabelecimentos familiares em relação ao clima, preço e renda: Seguro da Agricultura Familiar (SEAF) e Programa de Garantia de Preço da Agricultura Familiar (PGPAF), os quais se somam ao Programa Garantia Safra criado em 2002. Com o novo Plano Safra, o SEAF aumentou a renda assegurada de R$ 3,5 mil para R$ 5 mil, o PGPAF passou a proteger o preço de 46 produtos, incluídos produtos da cesta básica e da sociobiodiversidade, e ambos os programas estenderam suas ações para os pronafianos do Grupo B que contratarem financiamento de custeio. No que concerne ao Garantia Safra, a partir deste ano agrícola o Programa estendeu suas ações para agricultores e municípios de todo o país, anteriormente restrito aos produtores do semiárido.

Antecipando algumas medidas previstas para 2014, o novo Plano Safra dá sequência às ações que vinham sendo desenvolvidas no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria, cujo foco é promover a inclusão socioprodutiva do segmento em extrema pobreza. Destacam-se entre as ações a política de ATER, o PAA, o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR) e o Programa de Fomento a Atividades Produtivas Rurais, que distribui aos agricultores recursos não reembolsáveis (R$ 2.400,00) e insumos.

É pertinente destacar que no lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2012/13 os movimentos sociais e sindicais rurais ressaltaram a importância da criação e da expansão de programas inovadores para a agricultura familiar. Contudo, cobraram maior atenção e aperfeiçoamento das políticas públicas existentes e reforçaram a necessidade de retomar a política de reforma agrária no país. Como argumentaram as organizações, a acesso ao conjunto de programas destacados no documento passa primordialmente pelo acesso a terra.

É importante ressaltar ainda a dualidade da agricultura brasileira. Na semana anterior ao lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, o governo divulgou o Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, vinculado ao MAPA e direcionado aos produtores não familiares, os quais, segundo o último Censo Agropecuário, representam 15,6% dos estabelecimentos brasileiros. Neste Plano, o valor oferecido pelo MAPA para o financiamento da produção é seis vezes maior do que aquele da agricultura familiar (o montante chega a R$ 115 bilhões); além disso, enquanto os recursos disponibilizados para agricultura familiar cresceram na ordem de 233% desde 2003, o crédito para os produtores não familiares aumentou 325%.

Nestes dez anos de Plano Safra da Agricultura Familiar, este boletim faz um convite à reflexão sobre os rumos da agricultura familiar e do desenvolvimento rural a partir da contribuição das políticas públicas diferenciadas. Observamos a ampliação nos recursos disponibilizados, a criação de novas políticas públicas, o aperfeiçoamento das já existentes e o reconhecimento político e institucional cada vez maior da categoria social. Em paralelo aos avanços importantes que podem ser notados, há muitos desafios e demandas em curso.

(*) Os autores são pesquisadores do Observatório de Políticas Públicas para a Agricultura (OPPA) do CPDA/UFRRJ.

NOTAS
[1] No Plano Safra 2010/11 foi autorizado o acesso ao PRONAF pelos agricultores familiares com renda bruta anual familiar de até R$ 220 mil, desde que fossem produtores de milho, feijão, soja, arroz, trigo, bovinocultura de corte ou que estivessem em processo de reconversão produtiva do fumo.

[2] Conforme o Anuário Estatístico do Crédito Rural, em termos de recursos para o financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas, o Rio Grande do Sul recebeu 44% e a região Sul ¾ do volume total aplicado no país.


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20652

5 de julho de 2012

Jovens rurais do Semiárido na tela do Canal Futura

Fonte: http://www.asabrasil.org.br/Portal/Informacoes.asp?COD_NOTICIA=7407
Programa sobre juventude rural está sendo reprisado
Laudenice Oliveira - Centro Sabiá
29/06/2012
Foi reapresentada na quinta-feira, 28, no Canal Futura, o primeiro episódio do Programa Diz Aí sobre a Juventude Rural do Semiárido, cujo tema é Meio Ambiente e Biodiversidade. Este episódio conta com a participação de jovens de Triunfo e Santa Cruz da Baixa Verde, Sertão de Pernambuco, assessorados pelo Centro Sabiá. A reapresentação contou com a participação, ao vivo, do coordenador geral do Centro Sabiá, Alexandre Henrique Bezerra Pires, que foi um dos consultores da série. Os outros dois episódios também serão reprisados. 

28 de junho de 2012

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental


Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Site da Cúpula dos Povos
26/06/2012

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

11 de junho de 2012

Carta das Mulheres do Semiárido


Marcha Mundial das mulheres                                              Mossoró, 31 de Maio de 2012.
Entidades da ASA- Potiguar



À Presidenta Dilma Roussef
À Governadora Rosalba Ciarlini
Aos Prefeitos e Prefeitas Municipais
À População Nordestina

Com a seca não tem colheita nem na terra nem no mar.
 A folha que eu trouxe representa a seca do mar.
(Tatiane –Tibau/RN)

Nós, as mulheres, há muito tempo marchamos para denunciar e exigir políticas de convivência com o semiárido e que ponha o fim da opressão que vivemos por sermos mulheres.
Das nossas lutas feministas e das lutas dos demais movimentos sociais nasceram experiências inovadoras de espaços de liberdade para nós mulheres, para nossas filhas e filhos, para todas as pessoas que depois de nós caminharão sobre a terra semiárida.
Estamos construindo um Nordeste no qual a diversidade é uma virtude; tanto a individualidade como a coletividade são fontes de crescimento; onde as relações fluem sem barreiras; onde a palavra, o canto, os sonhos e a caatinga florescem. Esse Nordeste considera a pessoa humana e os bens naturais como uma das riquezas mais preciosas. Um Nordeste no qual reinam a igualdade entre mulheres e homens, convivência com nossas condições climáticas, o respeito e fortalecimento de nossa cultura e a socialização do trabalho doméstico e do cuidado. Este Nordeste, nós somos capazes de construir, nós estamos construindo.
Somos mais da metade da humanidade. Damos a vida, trabalhamos, amamos, criamos, militamos, nos divertimos. Garantimos atualmente a maior parte das tarefas essenciais para a vida e a continuidade da humanidade. No entanto, em momentos críticos como esse período de estiagem continuamos sendo as mais atingidas, por sermos responsáveis por grande parte da produção mercantil e pela produção do viver.
Diante de todos os argumentos já apresentados na carta da ASA/Brasil, na carta do Campo Potiguar e pela nossa experiência como militantes, lutamos por um novo modelo de construção de políticas para o semiárido, tendo como referência a convivência com a situação climática.

Nós da Marcha Mundial das Mulheres reafirmamos que queremos construir um Nordeste onde a exploração, a opressão, a intolerância e as exclusões não existam mais; onde a integridade, a diversidade, os direitos e liberdades de todas e todos sejam respeitados; onde a condição climática não seja mais um meio para ampliar a exploração de homens e mulheres nordestinas. Para isso propomos:

  1. Fortalecer as experiências de convivência com o semiárido protagonizadas pelas mulheres, como forma de se contrapor ao modelo de desenvolvimento disseminado pela economia verde;

  1.  Ampliação e desburocratização dos créditos com abate e reavaliação do saldo devedor; em especial o PRONAF Mulher, bem como liberação imediata do Apoio Mulher;

  1. Políticas públicas estruturantes que garantam o acesso à água, como a cisterna de placas, poços artesanais próximos aos quintais, entre outros;
  2. Resgatar o aprendizado das trabalhadoras e trabalhadores com a energia eólica adaptada, especificamente os cata-ventos, fundamentais para a produção dos quintais;
  3. Ampliação dos quintais produtivos que no momento de estiagem é a principal fonte de alimento familiar, bem como o programa PAIS para as diversas comunidades;
  4. Dentro do programa de construção de creches do governo federal, priorizar a construção de creches para o meio rural, como forma de socializar a tarefa do cuidado e garantir a alimentação das crianças no meio rural;
  5. Incluir como parte das necessidades imediatas da produção do viver, a limpeza da casa, banho das pessoas e lavagem de roupa. Neste sentido, o programa 1 Terra  2 Águas deve considerar a produção e as tarefas do bem viver (cuidado com as pessoas);
  6. Ampliação do valor do Bolsa Família por tempo indeterminado até que cesse a estiagem;
  7. Fortalecer a autodeterminação econômica das mulheres com ampliação do acesso aos programas como POPMR, ATER Mulheres, PNDTR, PAA/Compra Direta;
  8. Readequar imediatamente a legislação para que as mulheres possam voltar a comercializar as polpas de frutas através do PAA e PNAE.

Marcha Mundial das Mulheres

Subscreve essa carta:
Entidades que compõe a ASA- Potiguar:
Terra Viva,
Atos,
Sertão Verde,
Coopervida,
           Pedra de Abelha,
Centro Feminista 8 de Março,
Comissão Pastoral da Terra
CEACRU
Comissões de Mulheres dos STTR
Comissão das mulheres do STTR Apodi; Comissão das mulheres do STTR Caraúbas; Comissão das mulheres do STTR Governador Dix-Sept Rosado; Comissão das mulheres do STTR Barauna; Comissão das mulheres do STTR Filipe Guerra; Comissão das mulheres do STTR Upanema;

Demais Entidades e articulações: Rede Xique-Xique; Coordenação Oeste  de Mulheres Trabalhadoras Rurais; COOTIPESCA; Grupo Mulheres em Ação; PDA Margarida Alves; PDA Jucurí.

1 de junho de 2012

A voz da agricultura familiar no seminário sobre pesquisa e política de sementes.

Mais de 100 pessoas estiveram presentes na abertura do Seminário Pesquisa e Política de Sementes, ocorrido nesta quarta (30) no Convento dos Maristas, município de Lagoa Seca/PB. Durante a um momento místico inicial, agricultores e agricultoras representantes das diversas regiões da Paraíba colocaram em exposição, no centro do espaço, símbolos de sua cultura, sementes, plantas, frutos, conhecimento e artesanato.

Organizações comemoram a volta do CONSEA com banquetaço em Campina Grande

Um conjunto de organizações que atuam na promoção do direito humano à alimentação realizará no dia 27 de fevereiro, segunda-feira, um ‘Banqu...