6 de julho de 2011

A luta pela terra e a convivência com o Semiárido integram Brasil e Argentina

Patrícia Ribeiro - comunicadora popular da ASA
Campina Grande - PB
06/07/2011

Com interesse em conhecer as experiências de convivência com o Semiárido e os Fundos Rotativos Solidários (FRS) no Brasil, uma delegação da Argentina, com representantes de três entidades integrantes do Movimento Nacional Campesino Indígena (MNCI), visitam experiências da Articulação do Semi-Árido (ASA), na Paraíba, e do Movimento Sem Terra (MST), em Pernambuco. O intercâmbio, organizado pela Heifer, através do programa Brasil – Argentina, foi iniciado nesta segunda-feira (04) e seguirá até a próxima sexta-feira (08).

O grupo é composto por representantes da Associação de Produtores do Noroeste de Córdoba (Apenoc), da União dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (UST), da Fundação Nuevos Surcos e da Heifer na Argentina.

Durante o primeiro dia de visita à Paraíba, a delegação conheceu as experiências de FRS de animais, o manejo das plantas nativas e dos animais, o plantio de palma consorciada, o uso da água servida (água de uso doméstico, reaproveitada para a produção dos arredores de casa), construção de tecnologias sociais de armazenamento de água (tanque de pedra, cisternas, barreiros e barragem subterrânea) de produção de energia limpa (biodigestor), além da confecção de telas e produção de silagem. Todas estas experiências são desenvolvidas na região de atuação do Coletivo Regional das Organizações de Agricultores e Agricultoras do Cariri, Curimataú e Seridó Paraibano.

O grupo também visitou a unidade de beneficiamento de frutas da comunidade Canoa de Dentro, onde conheceram a experiência do grupo Mulheres Filhas da Terra, que atua na comunidade há cerca de dois anos. As experiências do assentamento Caiçarinha e da Comunidade Canoa de Dentro, no município de Pedra Lavrada, são resultado das parcerias e articulações entre o Coletivo Regional e o PATAC.

A luta pela terra, as iniciativas de acesso a créditos e as políticas públicas, vivenciadas no Brasil atualmente, são temas de bastante interesse para o grupo argentino. Tanto a Apenoc, quanto a UST, são organizações de camponeses que têm uma história semelhante ao MST aqui no Brasil, hoje um dos movimentos mais reconhecidos no mundo inteiro por sua história de quase 30 anos de resistência e luta pela terra.

Na programação, também está prevista uma visita às experiências do Pólo Sindical da Borborema, onde o grupo conhecerá o trabalho desenvolvido pela Associação de Pequenos Agricultores Rurais de Maracaja, no município de Queimadas.

Eles permanecem na Paraíba até quarta-feira (6), quando seguirão para Pernambuco. Lá, a delegação argentina fará uma visita ao Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR), conhecerá o Centro de Formação Paulo Freire, localizado no Assentamento Normandia, em Caruaru e as experiências dos assentamentos do MST no estado.

A perspectiva de todos (argentinos e brasileiros) é que este seja o primeiro momento de aproximação entre as organizações de famílias agricultoras dos países, que além de compartilhar das adversidades climáticas de regiões áridas e semiáridas, compartilham desafios sociais, econômicos e políticos comuns.


Um pouco sobre as organizações argentinas
Apenoc (Associação de Produtores do Noroeste de Córdoba) - é uma organização de base camponesa, criada há cerca de 10 anos, que luta pelos direitos dos camponeses na região de Córdoba, pampa argentino. A associação representa a central-noroeste do Movimento Campesino de Córdoba (MMC), a qual aglutina 14 comunidades. Os principais eixos de trabalho são a Luta pela Terra e pelo Território; a Luta pela Água; a Luta pela Saúde; a Luta pelo Comércio Justo; a Luta pela Produção Sustentável e a Luta pela Educação e pela Cultura Camponesa.

UST (União dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) - é uma organização de base, popular e autônoma criada há 10 anos. Ela trabalha em diferentes zonas rurais da Província de Mendoza e sul da Província de San Juan. Está integrada por mais de 500 famílias trabalhadoras rurais, pequenos produtores e criadores de pequenos ruminantes (caprinos e ovinos). Destas 500 famílias, ao menos 15% pertencem a comunidades indígenas. Seus principais eixos de ação, são: a Defesa dos Bens Naturais; a Soberania Alimentar; a Produção Sustentável; o Crescimento Territorial; a Influência nas Políticas Públicas; a Formação e Capacitação para Transformação Individual, Comunitária e da Sociedade. Trabalham a mais de quatro anos com Fundos Rotativos Solidários.

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