19 de setembro de 2014

Papel da mulher na Agricultura Familiar será tema do I Encontro Nacional de Agricultoras - Experimentadoras em Lagoa Seca


Mais de 100 mulheres agricultoras de todos os estados do Semiárido se encontrarão na próxima terça (23) e quarta (24), no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca,  durante o I Encontro Nacional de Agricultoras Experimentadoras da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).  O  lema do encontro será: “Celebrando conquistas na trajetória da ASA”.
A ASA que comemora 15 anos de trajetória no Brasil é uma rede que agrega mais de três mil organizações que trabalham para o desenvolvimento de políticas de convivência com a região semiárida brasileira.
 O objetivo do encontro é valorizar e dar visibilidade ao conhecimento e as capacidades das mulheres agricultoras e suas formas de inserção na organização do trabalho da agricultura familiar, além de construir coletivamente caminhos para superação das situações de desigualdade.

Durante os dois dias do evento, as mulheres irão refletir as raízes históricas dessas desigualdades, e poderão debater e construir de forma conjunta as oportunidades para a superação desse quadro. Elas serão provocadas, através de uma peça teatral intitulada de “Vida de Margarida”, a refletirem sobre as desigualdades das relações sociais.
Nos últimos 15 anos, muitas conquistas merecem ser celebradas pelas agricultoras no Semiárido. A chegada das tecnologias sociais de armazenamento de água da chuva (cisternas de água de beber e cisternas para produção de alimentos) tem permitido além da democratização do acesso ao recurso, uma grande melhoria na saúde das famílias; a diminuição da carga de trabalho das mulheres; o aumento da disponibilidade de água no quintal e por consequência, a valorização das práticas produtivas das agricultoras.


Para a organização do encontro o momento também é de visibilizar o trabalho da mulher no campo e proporcionar intercâmbios de trocas e fortalecimento dos conhecimentos. “A gente vem dar visibilidade às experiências das mulheres agricultoras que tem construído a agroecologia, que têm melhorado seus quintais e realizam conquistas como o resgate da sua autonomia enquanto mulher. Um encontro como esse vem mobilizar essas mulheres, porque quando elas saem pra participar e se encontram com outras histórias, com outras mulheres, elas voltam fortalecidas pra reassumir e reafirmar cada vez mais o seu papel”, afirma Maria Leônia, da coordenação do Polo da Borborema, da ASA Paraíba.
Além do exercício realizado através de uma maquete de um quintal, montada de forma coletiva, onde as participantes irão debater sobre as inovações e a experiências desenvolvidas a partir da criatividade de cada mulher, onde deverão aparecer questões como: Divisão do trabalho na propriedade e na casa; visibilidade do trabalho e dos conhecimentos das mulheres agricultoras, esse momento será preparatório às visitas de intercâmbio que acontecerão no dia seguinte, a experiências de mulheres sistematizadas em cinco temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios (galinhas, caprinos, ovinos, suínos, etc.) e Acesso aos mercados. As visitas de intercâmbio acontecerão nos municípios paraibanos Massaranduba, Queimadas, Boqueirão, Juazeirinho e Cubati.
Ao final do encontro, em plenária as agriculturas irão refletir o significado e o papel de cada mulher na valorização e na construção de conhecimento para convivência com o Semiárido, fortalecendo a identidade de agricultoras-experimentadoras gestoras de seus próprios conhecimentos.


Programação
23 de setembro
8h – Abertura
8h30 – Peça “A vida de Margarida”
9h30 – Debate sobre as desigualdades
12h30 – Almoço
13h30 – Caminhos de superação – divisão sexual do trabalho dentro da propriedade
15h30 – Trabalho em grupo
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
19h – Jantar
19h30 – Feira Guardiãs da Biodiversidade e Noite Cultural

24 de setembro
7h30 – Visitas de Intercâmbio
Temas: Manejo da água nos quintais; Diversificação produtiva dos arredores de casa; Sementes da paixão; Pequenos criatórios e Acesso aos mercados.
14h – Impressões das visitas: O que vi e o que vou levar para casa
14h30 – Qual o significado de ser Agricultora-experimentadora?

16h30 – Mística de encerramento

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