12 de dezembro de 2014

Esterqueira - inovação tecnológica desenvolvida por família agricultoras é tema de intercâmbio em Areial

Na manhã de hoje (11), cerca de 20 agricultores e agricultoras do Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar e do Polo da Borborema participaram de uma visita de intercâmbio sobre manejo da fertilidade do solo e da produção de adubo orgânico, a partir do uso de esterqueira, no município de Areial, Paraíba.

No intercâmbio os visitantes conheceram as experiências da família de Carlos Marcelino (conhecido como Carlinhos) e Josélia da Silva, no sítio Furnas e da família de Maria Aparecida e José Nivaldo (conhecido como Niva), no Sítio Arara.

Durante a visita a experiência da família de seu Carlinhos e Dona Josélia, foi apresentado um conjunto de cartazes que explicavam passo a passo a experimentação com uso da esterqueira na propriedade. Ano passado foi desenvolvido na propriedade um estudo que constatou alguns aspectos qualitativos e quantitativos em relação ao uso do esterco direto no solo, após passar pela esterqueira e da adubação verde, no caso do estudo, com a gliricídia.

Os resultados foram significativos. Em todas as avaliações a adubação com a gliricídia proporcionou a melhor produção do milho, seja das sementes, seja da palha. Em seguida, também foi comprovado que o esterco após a decomposição na esterqueira garante a melhor adubação para o solo. Os visitantes ficaram admirados com os resultados da pesquisa.

A esterqueira é uma nova tecnologia, desenvolvida pelas famílias agricultoras da região da Borborema na Paraíba, como estratégia para conservar e melhor aproveitar o esterco produzido pelos animais. Trata-se de uma alternativa de pouco custo financeiro que permite melhorar sua qualidade e preservar os nutrientes do esterco durante o processo de decomposição, garantindo ainda seu melhor aproveitamento.

Emanuel Dias, engenheiro agrônomo da AS-PTA, fala que a inovação surgiu a partir da experimentação dos próprios agricultores, buscando formas de melhorar a qualidade do esterco, que utilizado direto no solo, não rendia e algumas vezes queimavam as plantas. “O agricultor já fazia o composto aproveitando as sombras das árvores, através do projeto Terra Forte, conseguimos desenvolver esse modelo de esterqueira, que propicia facilitar o trabalho de carregar esterco e descarregar a compostagem”, afirmou Emanuel.

Inicialmente foi desenvolvida uma estrutura de nylon, mas atualmente já existem esterqueiras sendo construídas com anéis de cimento, ou seja, pré-moldadas. A diferença é que a pré-moldada exige um local fixo, resiste por mais tempo e tem capacidade de armazenar 3,6m³, enquanto a estrutura feita em nylon armazena aproximadamente 4m³ de esterco.

Outra experiência especial que despertou a curiosidade dos visitantes foi a utilização de pó de rocha, usado pela família de Seu Niva como adubação natural para o solo. O agricultor conta que cotidianamente tem comprovado em seu roçado a diferença na produção com o uso do pó de rocha como adubo. “Esse ano eu fiz o teste na minha plantação de batata. Numas partes eu colhi de 6 a 7 caixas de batata por hectare. Nesse pedaço, que eu coloquei o pó de rocha, deu 12 caixas por hectare.”, disse o agricultor.

Além dessa experiência, os visitantes conheceram outras experiências das famílias visitadas, como o uso do biodigestor na produção de gás de cozinha e o armazenamento de forragem através da Silagem. Segundo José Valterlândio Cardoso, técnico educador do PATAC, o intercâmbio teve como objetivo favorecer a troca de experiência sobre o manejo e uso da esterqueira, mas conseguiu propiciar muito mais.


O Projeto Terra Forte é realizado pela AS-PTA, em parceria com o PATAC, o Polo da Borborema e os Agrônomos e Veterinários Sem Fronteiras (AVS), com cofinanciamento da União Europeia.


Patrícia Ribeiro
11/12/2014

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