27 de novembro de 2014

Rede de Organizações da Agricultura Familiar celebra 15 anos de atuação no Semiárido Brasileiro

Foto: Asa PB
“Ampliar a Resistência e Fortalecer a Convivência” foi com esse lema que a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) celebrou na manhã desta quarta-feira, 26, seus 15 anos de atuação nos estados do Nordeste e parte do estado de Minas Gerais, trabalhando pelo fortalecimento da Agricultura Familiar de base agroecológica.

Em todo Brasil, entre às 10h e 12h, várias mobilizações relâmpagos (Flash Mobs) aconteceram para dar visibilidade às ações de convivência da ASA. A iniciativa dialogou com a população urbana, convidando homens e mulheres a fazerem uma reflexão a partir das temáticas “Água como Alimento e Água para a Produção de Alimentos”, na perspectiva de se pensar os modelos de agricultura, um que produz alimentos saudáveis, e outro, associado ao agronegócio que, quando produz alimentos, estes são contaminados por agrotóxicos ou são transgênicos.

Cada estado escolheu uma cidade (de grande ou médio porte) para que a mobilização acontecesse.  Na Paraíba, a praça central de Campina Grande foi o lugar escolhido para serem lançadas as seguintes perguntas ao público: “Você tem fome de quê? e Você tem sede de quê?”, como forma de instigá-lo a pensar sobre a qualidade dos alimentos que chegam a sua mesa e a relação estabelecida entre o campo e a cidade.

Foto: Asa PB
A ação, que contou com a participação de 150 pessoas de todos os territórios do estado, aconteceu na Praça da Bandeira, local muito popular da cidade. Um mapa do estado da Paraíba foi estendido no chão da Praça, com imagens do semiárido que faziam menção a um Nordeste e a uma agricultura que já não representa o cenário de fortalecimento da região semiárida brasileira: fome, desolação, êxodo rural, carros pipa, filas de emergência, desmatamento, etc. Com um sinal dado por atores em pernas de pau, os participantes do flash mob (pessoas das organizações que compõem a ASA PB) preencheram o mapa com os alimentos e símbolos do modelo de convivência com o semiárido que a ASA vem construindo, como: uma diversidade de sementes, frutas e hortaliças variadas, artesanato, mel, queijo, doces e mais uma infinidade de objetos representativos da agricultura familiar, tudo acompanhado com artistas em pernas de pau, e ao som do Maracatu. Ao final do ato, os participantes se dispersaram deixando um aviso de que os alimentos eram para serem levados pelos transeuntes que passavam ali naquele momento. Toda a movimentação teve duração de aproximadamente 10 minutos.

Foto: Juliana SPM
Para a representante da ASA PB na Coordenação Executiva da ASA Brasil, Glória Araújo, os 15 anos da ASA é, sobretudo, celebrar as conquistas de valorização do Semiárido, fortalecendo iniciativas para que o povo do Semiárido tenha, de fato e de direito, a cidadania. “Quando a ASA pauta o  acesso a água e o direito a água, ela está propondo essa cidadania, hoje nós comemoramos, mais de 558 mil cisternas de água para beber e cozinhar só dentro do programa P1MC, porque no geral, já são mais 800 mil cisternas; e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), já implementou mais de 72 mil tecnologias sociais de estocagem de água para produção de alimentos,  Além disso, temos ainda o processo de formação de gestão do recurso natural e também de sistematizações de experiências bem sucedidas que vêm sendo realizadas pelas agricultoras e agricultores, o próprio processo de intercâmbio de experiência de agricultor/a para agricultor/a, onde a cada dia, nós vemos que essa rede está se fortalecendo e produzindo alimentos saudáveis. Celebrar esses 15 anos, com um flash mob, em Campina Grande, na Praça da Bandeira, além de ser um momento histórico é também mostrar para as pessoas da cidade aquilo que os agricultores/as e as organizações do Semiárido vem fazendo, em defesa da vida e em defesa da convivência com o Semiárido. É muito bom esse diálogo entre campo e cidade na luta por um mundo melhor”, disse a coordenadora.

Foto: Juliana SPM
Glória também explica que o acesso água mudou a vida das mulheres camponesas “depois das cisternas de água de beber e água para a produção, as mulheres deixaram de andar quilômetros em busca do recurso, e hoje, elas podem investir esse tempo na produção dos quintais, onde estão cultivando seus alimentos (hortaliças, plantas medicinais e frutíferas) ou beneficiando produtos a partir da matéria prima de suas propriedades (bolos, manteiga, polpas de frutas nativas, dentre outros). Sem falar que a água que elas consomem hoje, é água de qualidade, diferente daquela que elas pegavam em outros reservatórios”, finalizou.

O flash mob aconteceu de forma simultânea em outras organizações da ASA Brasil nas cidades de: Montes Claros (MG), Feira de Santana (BA), Aracajú (SE), Arapiraca (AL), Triunfo (PE), Mossoró (RN), Fortaleza e (CE), Teresina (PI) e São Luís (MA). A maior parte das ações ocorreu em praças públicas e vias de grande circulação de pessoas.  


A agricultura familiar produz 70% dos alimentos que chegam à casa de milhões de brasileiros e brasileiras, no entanto ocupa somente 24% das terras agrícolas no país. Agricultores e agricultoras familiares do Semiárido trabalham no campo com a consciência de preservar a vegetação nativa da caatinga e do cerrado, o que possibilita a geração de trabalho e renda. Ao contrário do agronegócio, que pratica a monocultura e o uso de agrotóxicos. A ASA Brasil é composta de mais de três mil organizações da sociedade civil, com atuação na gestão e desenvolvimento de políticas públicas de convivência com o Semiárido.

Simone Benevides
Comunicadora Popular Asa/ Patac

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