19 de outubro de 2015

Agricultores e agricultoras realizam trocas de sementes na Feira da VI Festa Estadual das Sementes da Paixão

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A VI Festa Estadual das Sementes da Paixão foi encerada nesta sexta-feira (16), com a Feira Estadual das Sementes da Paixão. A feira iniciou com o acolhimento das caravanas, ao som de muito forró, na Praça Clementino Procópio no centro de Campina Grande. Estavam presentes cerca de 900 agricultores e agricultoras guardiões de sementes de todo o semiárido brasileiro.

Em seguida, representantes da articulação do Semiárido falaram um pouco sobre a importância da feira e das sementes da paixão para o povo do semiárido. “Agricultores e Agricultoras de todo o semiárido brasileiro estiveram reunidos durante esses três dias discutindo suas conquistas e levantando os desafios para continuar a luta, a favor de uma comida livre de transgênicos e agrotóxicos, livre da dominação e exploração das mulheres, uma garantia através das sementes da paixão”, disse Madalena Medeiros da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Paraíba). A coordenadora da ASA Paraíba, Maria da Glória Batista também falou sobre o papel que as políticas públicas de conivência com o semiárido têm desempenhado para a o fortalecimento da segurança e soberania alimentar.

Durante a feira os guardiões e guardiãs tiveram a oportunidade de fazer a troca de suas sementes, um momento de partilha de conhecimento e experiências. Para o agricultor Raimundo da Silva do Assentamento José Antônio Eufrouzino, município de Campina Grande, a feira foi um momento muito importante para troca de saberes. “Há dez anos que eu guardo minhas sementes da paixão, hoje eu tenho uma grande variedade, tenho milho branco, milho Jaboatão, milho preto, milho pontinha, feijão carrapatinho e com essa variedade eu tenho a garantia de que minha família consome uma comida saudável, falou o agricultor Raimundo que também realizou a troca das sementes do feijão carrapatinho por fava. “Eu não tinha essa semente de fava e nos próximos anos eu já vou trocar um pouco dessa semente de fava com outro agricultor, isso tudo é muito bom” afirmou.

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A agricultora Raimunda Soares Costa, 58 anos, da comunidade Tacima região do Curimataú Paraibano, também falou sobre a importância da troca de sementes.“Aqui a gente coloca em prática o que gente luta e vivencia. A troca de sementes é uma convivência entre os agricultores para não perder as sementes da paixão, é a semente que alimenta nosso povo e a gente precisar dar continuidade a ela”, falou Raimunda. Durante a feira, os agricultores também realizaram o teste de transgênia em suas sementes para se certificarem que suas sementes realmente estão livres dos transgênicos.
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Além da troca de sementes os agricultores e agricultoras também comercializaram seus produtos, entre eles as mudas de plantas medicinais, artesanatos, frutas, verduras, legumes, bolos, canjicas, doces, iogurtes e tapiocas. O grupo de mulheres do Assentamento Socorro, da cidade de Areia, produzem bolos, doces e brigadeiros, todos feitos com banana, mas a novidade produzida pelo grupo “Doces Socorro” é banana chips, um salgado feito com banana verde e sal. “A gente começou a produzir a banana chips depois de uma curso lá na comunidade, ele tem o sabor de um salgado de batata e as pessoas gostam muito”, afirmou a integrante Josefa Teixeira.

A feira encerrou com uma benção inter religiosa com representantes de praticantes de diversas religiões. A água, as sementes, a terra e a palma foram alguns elementos utilizados na benção para simbolizar a importância das sementes da paixão para as diversas comunidades, elementos que são essenciais para que a semente cresça e germine, garantindo alimento saudáveis as famílias agricultoras.

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