25 de agosto de 2011

Margaridas plantadas e cultivadas na capital federal


Marcha das Margaridas 2011 - Foto: Patrícia Ribeiro

Diante do contexto atual de crise financeira, política e social, a atual conjuntura do meio rural apresenta desafios cada vez mais incisivos para a classe trabalhadora como um todo. É nesta realidade que mulheres trabalhadoras rurais, urbanas e indígenas são impulsionadas a resistir na luta para construção de um novo modelo de desenvolvimento social. Modelo que atenda não apenas as exigências de soberania, solidariedade e liberdade da nação, mas que garanta as mínimas condições para uma vida sem violência, sem agrotóxicos, com saúde, justiça e igualdade.

Assumindo estes desafios, mais de 70 mil mulheres do campo, da floresta e da cidade participaram da 3ª Marcha das Margaridas, ocorrida em Brasília, entre os dias 16 e 17 de agosto. As mulheres apresentaram uma plataforma de reivindicações à presidenta Dilma Rousseff.

Nas pautas, as mulheres abordam questões chaves que, sendo efetivadas, possibilitariam a realização da Reforma Agrária no Brasil, garantiriam o fortalecimento da Agricultura Familiar Camponesa - principal responsável pela defesa e preservação da biodiversidade, pela seleção, melhoramento e conservação das sementes ou, em outras palavras, pela defesa da segurança e soberania alimentar do país. Se cumpridas, as reivindicações garantiriam ainda o acesso a estratégias e políticas públicas essenciais para o desenvolvimento e fortalecimento da autonomia econômica das mulheres trabalhadoras rurais.

Estudos recentes apontam alguns elementos importantes sobre a invisibilidade da violência contra mulheres camponesas.  No meio rura,l é perceptível a ausência significativa de políticas públicas e segurança Estado. Mesmo sabendo da existência da Lei Maria da Penha, na imensa maioria das regiões rurais do país, as mulheres camponesas são impossibilitadas de ter acesso a direitos já assegurados pela lei como: casas abrigos, delegacias de mulheres, assistência médica, social e jurídica especializada.

Para a coordenadora do Centro da Mulher 8 de Março (CM8M), na Paraíba, que também faz parte da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Elaine Bezerra, “apesar da pauta com reivindicações ter sido ampliada, questões pontuais e importantes foram conquistadas, como: a instituição de serviços de segurança da saúde, para apurar os agravos do uso de agrotóxico e a promessa de implantação de unidades móveis para atendimento de mulheres vítimas de violência, em municípios pequenos que tem baixa arrecadação financeira”.

A agricultora assentada e secretária do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais (MMTR/NE), Maria Verônica de Santana, avalia de forma positiva a realização da 3ª ação da Marcha das Margaridas. Ela fala que desde o ano 2000, quando foi realizada a primeira Marcha, o movimento tem conseguido evoluir no processo de construção de uma plataforma política feminista. “Este tem sido um processo evolutivo ao longo de cada ano, tanto no número de participantes, no nível de mobilização e formação, como na construção do caderno de texto e na pauta. Praticamente todas as regiões e movimentos parceiros se reuniram para dar sugestões num processo bastante democrático”.

Em relação às respostas do governo sobre as pautas reivindicativas, Verônica também comenta: “Existem questões que não se resolvem da noite para dia, é preciso criar mecanismo que garantam um processo de diálogo e negociação. A criação do grupo de diálogo foi positiva, além do compromisso de continuar o enfrentamento violência contra as mulheres, entendo este não como um corte no orçamento. Um grupo para pensar as creches no meio rural, colocar a questão da agroecologia no foco das discussões e a criação de cotas para mulheres nos programas de compras do governo, me parece avanços significativos. Agora nas questões estruturantes temos que continuar na luta”.

Eliane Bezerra comenta também um caráter inédito na articulação política da organização da Marcha: “A organização da marcha se abriu para inserção de outras organizações fora da linha do sindicalismo rural, isso foi um ganho significativo que possibilitou a ampliação das pautas de reivindicações no momento de sua construção.”

Atualmente a Marcha das Margaridas é construída pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Federações dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag´s), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR’s), Central Única dos Trabalhadores (CUT),  com a parceria de movimentos e organizações nacionais e internacionais, como: Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR/NE); Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB); Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS); Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MAMA); Marcha Mundial das Mulheres; - Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); União Brasileira de Mulheres (UBM); Rede de Mulheres Rurais da América Latina e Caribe (Rede LAC); Coordenadora de Organizações de Produtores Familiares do Mercosul (Coprofam); entre outras.



Patrícia Ribeiro
Campina Grande - PB
24/08/2011

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