17 de junho de 2013

GAPA: Gestão sustentável de água gera conhecimento entre agricultores


Visita à propriedade de Maria Vitória
A chuva que há meses não caía no cariri paraibano percorreu pelos caminhos de terra do Sítio Qualhada, zona rural do município de Cubati, durante os dias 13 e 14. A água alegrou os agricultores e agricultoras e não os impediu de participarem da Capacitação de Famílias em Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA), orientada pela equipe da Unidade Gestora PATAC. Os cerca de 40 trabalhadores e trabalhadoras rurais participantes do encontro terão acesso a reservatórios de água do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).
Para entender e fortalecer o uso e o manejo sustentável da água foram desenvolvidas atividades de reflexão sobre a importância deste bem para o convívio com o Semiárido e sobre o arredor de casa enquanto espaço de desenvolvimento  do trabalho e de sociabilidade da família. Homens e mulheres discutiram a divisão de tarefas em suas propriedades. Isabela Cristina, facilitadora do GAPA pelo PATAC, explica que essa discussão é importante para a valorização do trabalho do homem e da mulher. “É importante para fortalecer os laços da família em casa e a relação entre marido e mulher, para que ambos não sejam sobrecarregados com o trabalho. Além de criar um ambiente mais saudável.”
 
Durante à tarde do primeiro dia os agricultores e agricultoras visitaram o arredor de casa de Maria Vitória de Medeiros, 41 anos. Ela mora no Sítio Qualhada e depois que teve acesso a uma cisterna-calçadão em 2012, Vitória começou a produzir alimentos sem agrotóxicos.  “Eu trabalho com canteiros agroecológicos e nessa visita eu não só mostrei como trabalho, como também aprendi com eles. Por exemplo, eu aprendi a plantar cenoura e beterraba e amanhã mesmo vou começar a cultivar.”  Maria Eulira de Souza, 58 anos, mora no Sítio Campo de Cima e conta como foi a visita a propriedade de Vitória. “Vitória usa canteiro feito de cimento e eu só uso umas pedras pra separar os canteiros. É fácil de fazer o canteiro dela. Quando eu ganhar minha cisterna eu vou fazer meu canteiro igual ao dela”.
 
Agricultora planeja arredor de casa
Quem não pode ir ao encontro discutiu com os familiares, em casa, o que deve mudar no arredor de casa com a chegada das cisternas e barreiros. A maioria dos participantes planeja iniciar o cultivo de hortas e fruteiros ou aumentar a produção de vegetais e frutas, enquanto o restante deseja utilizar a água para a criação de animais de pequeno porte. “Todo mundo tem um sonho e quando a gente recebe uma benção de Deus, como essa cisterna de enxurrada que minha família está ganhando, a gente tem que saber usar bem”, adverte Francisco da Silva, 39 anos, morador do Sítio Canoa Velha, e complementa, “eu planto laranja, acerola e outras frutas, mas a gente tem dificuldade pra aguar, porque tem pouca água, e fica todo mundo triste lá em casa. Com a cisterna que está sendo construída, é isso que quero mudar”.  
 
Para Antônio Carlos Pires de Melo, coordenador do P1+2/MDS pelo PATAC, a implementação destas tecnologias de armazenamento apresentam um diferencial. “O nosso princípio é a agroecologia. Ela que orienta o trabalho não só do PATAC, mas de todas as instituições da ASA envolvidas no P1+2, no sentido de resgatar, valorizar e irradiar boas experiências no processo de formação dos agricultores e agricultoras”.
Ao final do encontro, os agricultores e agricultoras foram orientados de como será o período de construção das cisternas e as responsabilidades das famílias, dos pedreiros e dos animadores.  Antônio Carlos avalia o encontro. “Nós atingimos o objetivo de dar visibilidade e valorizar o papel da mulher na produção nos arredores de casa e também planejar o que vamos fortalecer no caráter produtivo”.
 

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