18 de novembro de 2015

O Aboio dos Vaqueiros Paraibanos dá início ao Seminário de Raças Nativas

Nesta terça-feira, 17.11, foi dado início o Seminário Raças Nativas na Agricultura Familiar Agroecológica no Santuário Padre Ibiapina, município de Arara, PB. Vestidos com os trajes típicos de couro, a família de vaqueiro Galo Preto, entrou no auditório aboiando e tocando seus chocalhos, emocionando as cerca de 100 pessoas que participam do Seminário.

O Seminário também faz parte das atividades da Red Combiand, uma articulação ibero-americana que reúne pesquisadores de cerca de vinte países que estudam raças nativas e adaptadas para o desenvolvimento sustentável. Dois pesquisadores da Red estão presentes no encontro, Maria Esperanza Camacho, pesquisadora do Instituto Andaluz de Investigación y Formación Agraria y Pesquera, juntamente com Juan Vicent Delgado Bermejo, pesquisador da Universidad de Córdoba.


Quatro experiências de agricultores guardiões de raças nativas de animais foram apresentadas. Edivan, do Coletivo Regional, mostrou a sua experiência na criação de caprinos em fundo de pasto. Uma estratégia que consiste na ausência de cercas entre as propriedades vizinhas, possibilitando uma maior área para a pastagem para os animais de todas as famílias da comunidade. Dona Maria, de Boqueirão, apresentou as suas aves nativas e o seu conhecimento sobre o tratamento fitoterápico de perus, galinhas, patos, gansos e guinés. Seu Arunda, assentado em Araçagi, compartilhou a sua história na preservação das abelhas nativas do semiárido, tais como a “mosca branca” e a “abelha mosquito”. O casal Luizinha e Zé Paulo, de Casserengue, apresentou os porcos da raça local “casca de burro”. Durante o evento, esses agricultores e agricultoras receberam certificados de guardiões e guardiãs de raças nativas.

Carlos Magno, do Centro Sabiá, contribuiu com uma reflexão sobre as vantagens das raças de animais domésticos adaptadas à realidade do Semiárido na garantia da saúde e da soberania alimentar dos agricultores e agricultoras familiares. Ele falou ainda sobre as ameaças e perigos das raças exóticas, não adaptadas às condições climáticas da região e distantes das condições financeiras dos camponeses “quando as raças exóticas chegam aqui no Brasil, muitos animais morrem e passam a dizer que aqui não é possível se criar animais, muitas vezes o debate é feito olhando o que a universidade diz e que é dito lá fora. As raças locais estão aqui e elas são boas, porque se não fosse ninguém criava”, afirmou ele.

O Evento, que irá até quinta-feira, 19, está sendo promovido pelo Núcleo de Extensão Rural Agroecológica – NERA, da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, em parceira com organizações da Articulação do Semiárido Paraibano, como: o Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar do Cariri, Seridó e Curimataú, PATAC, o Pólo Sindical da Borborema, AS-PTA, o Coletivo ASA Cariri Oriental – CASACO, o Instituto de Assessoria a Cidadania e ao Desenvolvimento Local Sustentável – IDS.


Lançamento de curtas sobre a cultura do Cariri

Durante a noite desse primeiro dia, os participantes do Seminário presenciaram o lançamento de dois curtas produzidos por estudantes do curso de Agroecologia da UEPB: “Tenho Muita História pra Contar: uma prosa de vaqueiros” e “A Missa do Vaqueiro: uma devoção que reúne gibões e resgates”.

Os vídeos serviram como mais um importante momento, ampliando a temática do evento ao valorizar a cultura do vaqueiro, tão ameaçada de extinção quanto às raças locais. Participantes do documentário estiveram presentes no momento do lançamento e entoaram aboios improvisados sobre a importância da cultura sertaneja.

Também foi lançada uma exposição permanente de artesanatos e cordéis com o tema da criação animal, durante o evento. O Seminário tem a expectativa de se tornar um marco na luta pela valorização e resgate das raças e culturas camponesas do semiárido paraibano.

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