10 de março de 2011

MANIFESTO DAS MULHERES DO CAMPO E DA CIDADE

Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras

Neste dia 08 março de 2011, estamos mobilizadas mais uma vez, reafirmando nossa história de lutas, conquistas, resistências e enfrentamentos. Somos mulheres trabalhadoras do campo e da cidade, organizadas em Movimentos Sociais no município Brasília estado Distrito Federal e articuladas na Jornada Nacional de Lutas do 08 de Março.

Vivemos em um mundo que nos afirmam ser tecnologicamente “desenvolvido”, tanto financeiro quanto industrial, onde as necessidades de consumo são, em grande medida, para atender a demanda do mercado, gerando concentração de renda nas mãos de poucas pessoas. Esta sociedade capitalista se sustenta através da exploração da classe trabalhadora e beneficia setores e corporações como por exemplo: Bayer, Basf, Monsanto, Syngenta, Dreyfus, entre outras, sem levar em consideração as pessoas, o ambiente e todos os danos sociais e ambientais, que este tipo de sistema causa.

Nesta conjuntura nós mulheres estamos enfrentando todas as formas de violência: física, sexual, moral, patrimonial, psicológica, exploração do trabalho, além da violência do agronegócio que expulsa as camponesas e camponeses do campo. De maneira geral o que nos resta são as consequências deste sistema patriarcal e capitalista, baseado nas monoculturas, produção de escala e grande extensão, com a utilização cada vez maior de agrotóxicos e sem fiscalização, são as inúmeras doenças que estão nos matando dia após dia, como o câncer, pneumonias, alergias, depressão, doenças do sistema imunológico, neurológico e reprodutivo.

Por isso Denunciamos:
- O uso de agrotóxicos implantados principalmente pelo agronegócio que leva cada vez mais a desintegração social, cultural, econômica e ambiental, se tornando uma ameaça à vida humana, do ecossistema e do planeta;
- O descaso e a falta de compromisso de órgãos competentes e autoridades na fiscalização e na punição diante de descumprimentos das Leis. Citamos como casos concretos o desmantelamento do Código Florestal Brasileiro e a não rotulagem massiva dos produtos transgênicos.
- A não implementação, a falta de estrutura e as tentativas de impedimentos da existência da Lei Maria da Penha, além do descaso e negligência por parte dos órgãos competentes no atendimento das mulheres vítimas de violência.
- O descaso do estado brasileiro na implementação do Sistema de Seguridade Social (saúde e assistência social brasileira) e as várias tentativas de seu desmonte.

Em contraposição, exigimos que:
- O Estado Brasileiro tenha responsabilidade e o compromisso de preservar a vida do ecossistema, implementando as leis já em vigor e garantindo seu cumprimento com eficácia. Que o Estado faça uma ampla campanha de eliminação do uso dos agrotóxicos e produtos tóxicos bem como de seus agentes destruidores do ser humano e do ecossistema.
- O Estado Brasileiro se empenhe em implementar a Lei Maria da Penha como uma forma de erradicar a violência praticada contra as mulheres.
- O Estado Brasileiro implemente a Seguridade Social como um dos direitos fundamentais da Constituição de 1988 e que precisa ser implementada com seriedade, garantindo o atendimento de qualidade e humanizado pelo SUS, pelo INSS e Assistência Social. Isto é um dever do Estado e direito de todos os brasileiros e brasileiras.
Reivindicamos direitos que acreditamos serem essenciais para a garantia de uma vida mais digna e denunciamos as injustiças, desigualdades e descasos sociais, ambientais, econômicos, políticos e culturais do sistema patriarcal e capitalista.

Nossa indignação vem ao encontro da construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática, onde as pessoas possam viver bem e sem discriminação, tenham acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes, onde as mulheres não sofram mais nenhuma forma de violência e que os direitos sejam efetivamente garantidos.

“08 de março – Dia de Luta das Mulheres Trabalhadoras do Campo e da Cidade”.

Entidades que assinam este manifesto:
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC Brasil

- 08 DE MARÇO DE 2011 -

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